Censura – O violão quebrado que não se cala

Depois de um período de descanso, volto ao meu blog.

O Jornal da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), edição 379, de junho de 2012, traz uma reportagem especial que merece a capa”A MPB enfrenta a censura militar”. Foi escrita por Arcírio B. Gouvêa Neto. “Mais de 40 criadores da Música Popular Brasileira”, desde Adoniran Barbosa a até Wilson Batista, morto décadas antes, foram proibidos pela implacável censura da ditadura militar” (1964-1985). O texto é dividido em “A tropicália passa a incomodar”, “Vandré: o inimigo número um dos militares”, “Geraldo Azevedo e as torturas humilhantes”, “Sérgio Ricardo, o maldito para o regime” (“especialmente depois de ter jogado seu violão na platéia, em 1967, após sua música Beto Bom de Bola levar estrondosa vaia no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record”), “Chico Buarque, o mais perseguido e proibido”, Zé Kéti e a resistência do Teatro Opinião” e “O DCDP, a máquina de cortar letras”.

Há também o artigo “A censura era prepotente, burra e bizarra”, do produtor radiofônico Cirilo Reis. O jornal, que circula especialmente entre os associados da ABI, não é reproduzido na Internet.

Chama a atenção, para reflexão cultural, a transcrição de um depoimento de Sérgio Ricardo, que completou 80 anos em 18 de junho.

Um aperitivo de sua fala: “A cultura, principalmente, que é a alma do povo, ficou prejuducada da forma mais escrachada possível. Tudo que se faz no Brasil está sem a alma que deveria estar presente e é falso. Estamos vivendo uma farsa de um país desenvolvido, que, na verdade, não tem desenvolvimento algum. É algo etéreo, mentiroso, com muitas coisas fantasiadas pela imprensa, pelo sistema de comunicação e pela chamada intelligentsia, que não tem mais quase nada e vive a decadência”.

Entrevista original de Sérgio Ricardo no portal Rede Brasil Atual:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/03/sergio-ricardo-a-ditadura-deixou-como-heranca-um-medo-no-povo-brasileiro-de-tentativa-de-transformacao/?searchterm=S%C3%A9rgio%20Ricardo%20e%20a%20censura

FRASE

“Se não fosse a imprensa, o Brasil continuaria colônia e ainda manteria a senzala”. Maurício Azêdo, presidente da ABI, na mensagem de Primeiro de Junho, Dia da Imprensa. (Fonte: Jornal da ABI)

José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

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Sobre a notícia e a verdade

Em tempo de resistência ao trabalho da imprensa – cuja contribuição à democracia brasileira e no mundo é inestimável e incontestável – é preciso reforçar a importância da formação profissional de quem nela trabalha e entender suas posições. Apressados fazem avaliação negativa, mas é correto afirmar que um fato pode ser contado de “n”, todas no universo do que entendemos como verdade.

Exemplo: dia 13 de maio, a Folha de S. Paulo, publica em sua capa a chamada “Órgãos correm para cumprir prazo de acesso a dados públicos” – um enfoque compreensivo sobre o tema. “A três dias de entrar em vigor a lei que regula o acesso a informações públicas, sigilosas ou não, só 12 de 52 órgãos federais consultados pela Folha declararam que seus serviços de informação ao cidadão já estão em funcionamento. A partir de quarta-feira (dia 15) eles terão prazos definidos para responder aos pedidos”.

O mesmo tema mereceu a principal manchete de O Estado de S. Paulo e outro tratamento: “Lei de Acesso à Informação vai começar enfraquecida”. No texto, o jornal destaca que demora na regulamentação por parte do governo atrasa detalhamento e pode gerar confusão. “A Lei de Acesso deixou indefinidas diversas especificidades, como, por exemplo, a necessidade de identificação do requerente da informação”.

Melchiades Filho, da Folha, escreve dia 14 que não convém subestimar a Lei de Acesso à Informação. “Seu significado vai muito além do bem-vindo sinal verde para entrar nos arquivos oficiais e reconstituir episódios conturbados do país. Trata-se também de ferramenta poderosa para melhorar a gestão e desinfetar a administração pública. O brasileiro agora terá o direito de fiscalizar todo e qualquer ato dos governos. As repartições – autarquias e estatais incluídas – deverão fornecer os dados requisitados em no máximo 30 dias corridos. Compras, convênios, atas de reuniões, relatórios, folhas de pagamento: nada disso poderá ser ocultado”.

De volta ao jornalismo comparado e contra os ataques à imprensa – inteiramente desproporcionais aos seus equívocos e erros, presentes em toda atividade humana -, lembro dois tratamentos de um escândalo atual envolvendo as relações de Carlos Augusto Ramos, o empresário e contraventor de jogo de azar Carlinhos Cachoeira, com políticos, especialmente o senador, ex-DEM, Demóstenes Torres, de Goiás. Quando se usa nos textos Caso Cachoeira há, a grosso modo, uma generalização do escândalo. Já, ao usar Caso Demóstenes, também a grosso modo, o conteúdo particulariza e politiza o foco num parlamentar de oposição, que se apresentava como paladino da moralidade, enquanto, nos bastidores, protegia o contraventor (para citar o mínimo de um enorme escândalo político).

Cachoeira, na realidade, “tinha rede multipartidária em Goiás”, escreve o jornal Valor Econômico, dia 14. “Filiados em Goiás de todos os grandes partidos políticos do país — PT, PMDB, PSDB e PP — mantiveram ligações, durante seus governos, com as empresas ligadas a Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira quando não diretamente com o contraventor, pivô da CPI criada pelo Congresso. Foi na gestão de Maguito Vilela, do PMDB, que uma empresa de Cachoeira venceu o processo de terceirização da loteria. Íris Rezende, também do PMDB, assinou com a Delta dez contratos para execução de obras da prefeitura. No governo do Estado, a Delta entrou via Alcides Rodrigues (PP), o vice que Marconi Perillo (PSDB) elegeu governador e que depois virou seu  desafeto. Hoje, a Delta é uma das maiores contratantes do PAC, do governo federal, e de governadores e prefeitos. O que explica a estratégia da maioria governista em atuar para evitar que as relações dos políticos goianos com Cachoeira e a Delta respinguem no Planalto”.

ALERTA

O ministro Guido Mantega mantém um discurso de serenidade diante dos esperados respingos da crise econômica mundial no desenvolvimento brasileiro. Cumpre o seu papel. Porém, há meses acompanho a deterioração gradativa da situação econômica mundial, especialmente na Europa, e suas consequências para nós. Sintoma disso é, por exemplo, a desaceleração da indústria. Queda de 3% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2011.

Lá fora, em outro indicador, anuncia-se que o comércio exterior chinês sofre forte desaceleração. A Folha do dia 11 escreve que o comércio da China com o mundo, atingido pela estagnação europeia, teve forte desaceleração e cresceu só 2,7% em abril, abaixo dos 8,9% de março. “As importações subiram 0,3%, e as exportações, 4,9% — inferiores às previsões. O resultado preocupa o Brasil”.

Na “Entrevista de 2a.”, dia 14, o mesmo jornal afirma que Brasil não passará por crise, mas terá pouco crescimento, baseando-se em entrevista feita por Luciana Coelho com o analista financeiro indiano Ruchir Sharma, de 38 anos,que comanda o fundo para mercados emergentes do Morgan Stanley, o nono maior banco de investimento do mundo. Na opinião dele, o ritmo de expansão do país vai “decepcionar” e que é preciso mudar “a mentalidade” para avançar. “O Brasil está ficando para trás entre os emergentes, com o real supervalorizado, gargalos de infraestrutura que inibem a produção, mão de obra cara e excesso de gasto público”.

Previsão de Sharma: “Em torno de 3% de crescimento nos próximos três ou cinco anos. Mas o Brasil deveria estar crescendo ao menos 4% ou 5% ao ano. E, se o preço das commodities cair, pode ficar abaixo de 3%”.

Na mesma linha, a coluna Radar, assinada por Lauro Jardim, na Veja (dia 16, data de capa), lembra que o governo iniciou o ano ambicionando um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto – ou a soma do que se produz no país) de 5%. “Rapidamente falava em 4%. Hoje, teme que não chegue a 3%. A propósito, as projeções do BTG Pactual estão hoje entre 2,6% e 3,4%”.

José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

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Chuá, chuá… É uma cachoeira só

O dicionário explica que chuá significa enchente. O noticiário político brasileiro, constantemente às voltas de denúncias de corrupção, vive há semanas de uma cachoeira, uma enchente delas. As comportas da represa foram abertas com os “malfeitos” do ex-senador do DEM Demóstenes Torres, de Goiás, o “posudo” da honestidade, e seu relacionamento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, bicheiro e empresário, a quem Torres prestava serviços. Depois, caiu na água também a poderosa Delta Construções. (Contado a cada dia, a dimensão do escândalo vai se diluindo – por isso, escrevo um texto longo.)

Folha de S. Paulo (dia 18 de abril) escreve que escutas telefônicas feitas pela PF nos últimos três anos mostram que Cachoeira tinha influência nos governos de pelo menos três Estados e relações com políticos de seis partidos, do PT ao PSDB.
“Líderes governistas e da oposição apresentaram ontem no Congresso o pedido de criação da CPI do caso Cachoeira, abortando movimento iniciado dias antes para atrasar as investigações. O objetivo da CPI será investigar os negócios do empresário Carlos Cachoeira e suas relações com políticos e outros empresários. Cachoeira é acusado de explorar jogos ilegais e foi preso pela Polícia Federal em fevereiro”.
O jornal reporta que a presidente Dilma Rousseff está preocupada com os riscos que as investigações do caso Cachoeira criam para a imagem do governo e dos partidos que a apoiam no Congresso, mas muitos petistas querem usar a CPI para atingir a oposição.
“DOA A QUEM DOER”


Ao mesmo tempo, na coluna Painel da mesma edição, a jornalista Vera Magalhães publica que o ex-presidente Lula recebeu no Hospital Sírio Libanês vários parlamentares para discutir a CPI do Cachoeira. Separadamente, despachou com o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o antecessor Cândido Vaccarezza (PT-SP) e os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Renan Calheiros (PMDB-AL).
“A despeito dos receios da presidente Dilma Rousseff, Lula disse que a CPI tem de ser feita “doa a quem doer”. Atribuiu a Carlinhos Cachoeira um “esquema” para destruir o seu governo, desde o caso Waldomiro Diniz, em 2004, passando pela denúncia de propina nos Correios -que resultou no mensalão-, um ano depois”.
O senador Demóstenes Torres, que se apresentou durante anos como o paladino da moralidade e dos bons costumes, é o centro do noticiário, que já lança muita sujeira no ventilador.
Segundo a Folha, negociou verba para beneficiar empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, há evidências de que Demóstenes atuava como “sócio oculto” da Delta, empresa que, desde 2007, é a que mais recebe recursos do governo federal, principalmente por obras do PAC”.
“LAVAGEM DE DINHEIRO”


A Delta, mostra o jornal O Estado de S. Paulo (dia 18), é suspeita de montar rede de lavagem de dinheiro. “Foco das investigações da futura CPI do Cachoeira, prestes a ser instalada no Congresso, a Delta Construções é suspeita de ter montado uma rede de laranjas para lavar dinheiro numa triangulação com outra construtora, a Alberto e Pantoja Construções e Transporte Ltda., informa a repórter Alana Rizzo. Destino de R$ 26,2 milhões da Delta, a Alberto e Pantoja fez uma série de pagamentos a uma rede de pessoas com vínculos com a empreiteira sediada no Rio que, agora, negam que tenham recebido as quantias”.
Estadão também conta que o PMDB quer controlar CPI para coagir PT. “O PMDB quer ser tutor da CPI do Cachoeira e assim negociar com o Planalto os rumos da investigação sobre as ligações políticas do contraventor Carlinhos Cachoeira. A ideia é mostrar que a CPI é uma “invenção do PT” e, uma vez instalada, respingará no governo de Dilma Rousseff por culpa do seu próprio partido”.
Mas no governo, segundo a Folha, a ordem é blindar tudo que possa arranhar a imagem do Planalto na CPI. Integrantes do governo trabalham para indicar parlamentares afinados com o governo para a comissão. “O pedido para que a CPI seja instalada foi apoiado por 340 deputados e 67 senadores. Depois que todas as assinaturas do pedido forem conferidas, o documento será lido em sessão do Congresso. A comissão só poderá ser instalada depois que os partidos indicarem seus integrantes. O ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), investigados pelo Congresso no passado, deverão fazer parte da CPI”.
“A oposição deseja que o foco principal das investigações seja a construtora Delta, que cresceu nos últimos anos com contratos no setor público e recebeu R$ 3,6 bilhões do governo federal desde2003”. (…) “Isso não pode terminar em pizza”, afirmou o líder do DEM, deputado ACM Neto (BA).
Luiz Holanda, professor de Ética Geral e Profissional e de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Salvador-UCSAL, no artigo “O mensalão desce a cachoeira”, recorda, por exemplo, que  durante as investigações ficou provado que os parlamentares que compunham a “base aliada” recebiam, mensalmente, recursos do PT para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo.
“Em agosto de 2007, o STF iniciou o julgamento dos quarenta nomes (na época) denunciados pela Procuradoria Geral da República. Como a mais alta corte do país recebeu quase todas as denúncias contra cada um dos acusados, estes passaram a ser réus no processo criminal”.
“A TIA DO PAC”


Colunista de O Globo e da Folha de S. Paulo, Elio Gaspari escreve dia 18 o artigo “O medo da CPI da ‘tia do PAC’”, afirmando que se Dilma Rousseff é a ‘mãe do PAC’, a empreiteira Delta, com R$ 3,6 bilhões de encomendas, é sua tia. Transcrevo quatro parágrafos.
1-Materializou-se um pesadelo do comissariado petista. Foi ao ar o grampo em que o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira, Delta diz que “se eu botar 30 milhões [de reais] na mão de um político, eu sou convidado para coisa para c….. Pode ter certeza disso, te garanto”.
2-A versão impressa dessa conversa surgiu em maio passado, numa reportagem da revista “Veja”. Ela descrevia uma briga de empresários, na qual dois deles, sócios da Sygma Engenharia, desentenderam-se com Cavendish e acusavam-no de ter contratado os serviços da JD Consultoria, do ex-ministro José Dirceu, para aproximar-se do poder petista. A conta foi de R$ 20 mil.
3-À época, o senador Demóstenes Torres, hoje documentadamente vinculado a Carlinhos Cachoeira, informou que proporia uma ação conjunta da oposição para ouvir os três empreiteiros. Deu em nada, como em nada deram inúmeras iniciativas semelhantes. Se houve o dedo de Cachoeira na denúncia dos empresários, não se sabe.
4-Diante do áudio, a Delta diz que tudo não passou de uma “bravata” de Cavendish. O doutor, contudo, mostrou que sabe se relacionar com o poder. Tem 22 mil funcionários e negócios com obras e serviços públicos em 23 Estados e na capital.
Dono da Delta, o empresário Fernando Cavendish diz a Mônica Bergamo, da Folha (dia 19), que o escândalo Cachoeira pode levar seu negócio à falência. Afirma que o ex-diretor da empresa, Cláudio Abreu, nunca informou que dava dinheiro para o esquema do contraventor. Foram R$ 39 milhões. Não deu para perceber?, pergunta a jornalista.  “A empresa rodou, nesses dois anos, 2010 e 2011, R$ 5 bilhões. Tem 46 mil fornecedores. Esse dinheiro, nesse universo, é imperceptível”, responde Cavendish. Segundo ele, ninguém é sócio da Delta. “Já inventaram dezenas de sócios para a Delta”.
NO QUE VAI DAR?


O resultado de todo som que evapora com a queda da cachoeira pode estar numa informação encontrada no artigo de Holanda, publicado na Tribuna da Bahia (dia 17).

“A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) divulgou o resultado de uma pesquisa destacando que entre 1988 a 2007, ou seja, num período de dezoito anos, nenhum agente político foi condenado por aquela corte por corrupção. Durante esse tempo, o Superior Tribunal Justiça (STJ) – que acaba de liberar o estupro-, condenou apenas cinco autoridades. Desde então, dos 130 processos distribuídos no Supremo apenas seis foram julgados, com a absolvição de todos os envolvidos. Quanto aos demais, 13 prescreveram; o resto continua tramitando na corte, sem nenhum resultado”.
O Globo (18) noticia que réu no caso do mensalão, deputado se reúne com ministro do Supremo. “O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) bateu pessoalmente à porta do STF. Pediu audiência a cinco ministros. Por enquanto, foi recebido por Dias Toffoli em seu gabinete na semana passada. O ministro confirmou o encontro, mas alegou que o parlamentar o procurou na condição de integrante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Teria ido apenas para entregar o relatório final da comissão de juristas que estuda mudanças no Código Penal. Porém, João Paulo não relata a comissão, nem recebeu missão para representá-la no STF. Perguntado se trataram do mensalão, Toffoli garantiu que não. Disse que o interlocutor sequer puxou o assunto. Questionado sobre o motivo do encontro, João Paulo reagiu como se o conteúdo da conversa não devesse ser divulgado”.
“PADRÃO GLOBAL”


Registro, para terminar, que a Folha (dia 18) tem a seguinte chamada de capa: “Dilma criou “padrão global” anticorrupção, diz Hillary”. Texto resumido: “A atuação da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção foi elogiada pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Ao encerrar sua visita de dois dias ao Brasil, Hillary fez um afago na presidente e afirmou que ela está “estabelecendo um padrão mundial”.”O compromisso dela [Dilma] com a abertura e com a transparência e a luta dela contra corrupção estão estabelecendo um padrão global”, afirmou a secretária. A americana esteve em Brasília para lançar um protocolo de intenções em defesa de maior transparência de agentes públicos -55 países já aderiram ao compromisso. Brasil e Estados Unidos são copresidentes da iniciativa.”Não há melhor parceiro para começar esse esforço e liderar [essa iniciativa] do que o Brasil, e em particular a presidente Rousseff”, disse ela”.
O OBSERVADOR


Gosto de colunas de leitores – revelam muitas opiniões interessantes. Na Folha (18), Guilherme Accioly Domingues (São Paulo, SP) ironiza que é engraçado ver que o norueguês que promoveu um terrível massacre é denominado pela imprensa como “atirador”. Fosse ele de outra nacionalidade, seria tido como “terrorista”.
José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.
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Legados inesquecíveis

Reprodução de página do Diário do Povo (Campinas, SP) com entrevista de Millôr, em maio de 1975.

Sou avesso à idolatria, seja de pessoas ou de fatos históricos, por exemplo. No caso de Millor Fernandes (1923-2012), que morreu dia 27, cheguei perto de tê-lo como ídolo existencial. Admiro também Chico Anysio, que se foi dia 23, e a “rainha do choro” Ademilde Fonseca, que se despediu da gente dia 27 também. Há que se admirar gênios e artistas.

Folha de S. Paulo e Estado de Minas, dia 29, seguiram a mesma linha em edições de capa, destacando uma frase de Millôr Fernandes – com quem fiz uma longa entrevista em 1975, em Campinas, quando era um principiante no Diário do Povo. ‘‘A gente só morre uma vez. Mas é para sempre’’.

“Autodidata em todas as artes às quais se dedicou, Millôr começou a trabalhar cedo na imprensa, aos 14 anos. Com 19, já na revista O Cruzeiro, inaugurou estilo único de ler a realidade, não deixando escapar nem mesmo temas considerados tabus, como a morte: “Não tenha medo de morrer. Talvez não haja o desconhecido, haja um velho amigo”, reporta o Estado de Minas.

DEFINIÇÃO PRIMOROSA

Já o Correio Braziliense lembra que Millôr notabilizou-se principalmente como frasista. Sobre jornalismo, cunhou uma definição primorosa: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Na minha entrevista, juntamente com a de Ziraldo, Millôr Fernandes afirmou que, para ele, “tudo é político-social”. Foi em maio de 1975. Chamou a imprensa de corrupta e as agências de publicidade de “centro da corrupção do nosso mundo”. “Se de repente houvesse a possibilidade de uma utopia na imprensa e ela, da noite para o dia, passasse a ser boa, toda a sociedade seria boa. Ela é um reflexo da sociedade, mas poderia fazer com que a sociedade fosse um reflexo dela”. Millor falou: “Ninguém me dá liberdade. Eu tenho a minha”. (Tinha a íntegra da entrevista gravada em “fita cassete” – meu trofeu. Emprestei para um querido tio. Meu primo, garotão, gravou um rock em cima. Sorte que guardei o velho jornal)

Quem escreveu um belo perfil de Millôr foi Ruy Castro, na Folha de S. Paulo, (29). Trecho: “Não há formato de texto de imprensa que ele não tenha experimentado: editorial, panfleto, sátira, paródia, fábula, conto, aforismo, diálogo, trocadilho, verso livre ou metrificado, haicai -tudo quase sempre associado a algum grafismo sem paralelo no Brasil. Também dirigiu revista e jornal, escreveu teatro (como autor ou tradutor), fez letra de música e foi mestre de cerimônias de espetáculos. Mas nunca fez nada disso para exibir seu virtuosismo. Cada formato, atividade ou recurso era apenas o mais adequado ao que ele quisesse dizer -e, em qualquer momento, Millôr sempre tinha o que dizer a respeito de comportamento, cultura, política, ética, ciência, religião e do que você quiser”.

Ruy Castro recorda que escreveu certa vez que, se batidos num liquidificador, Ambrose Bierce, de “O Dicionário do Diabo”, o vienense Karl Kraus e o romeno E. M. Cioran, famosos internacionalmente por suas frases, não valiam meio copo de Millôr. “Mas começo a achar que ele era páreo até para seus heróis: Bernard Shaw, no texto, e Saul Steinberg, no desenho”.

ENGANO

Na mesma edição, Janio de Freitas, em “Millôr, meu amigo”, comenta um engano. “Acompanhou Millôr desde a primeira página do “Pif-Paf” no longínquo “O Cruzeiro” e agora se mostra com toda intensidade, nos jornais, nas TVs, nas conversas sobre “o humorista Millôr”. Mas desengane-se: Millôr não era humorista. Millôr foi um pensador. Brilhante e fertilíssimo pensador. Ilimitado nos temas e incessante no seu exercício de pensador”.

Reporto-me ao texto de Ruy Castro para exemplificar o que senti ao entrevistar Millôr Fernandes, ele aos 52 anos, eu com 26. “Era impossível aproximar-se dele sem admirar sua inteligência, independência e autossuficiência – cada qualidade sustentava as outras duas e o tornava quem ele era”.

ARTISTA MULTIMÍDIA

O Brasil perdeu, dia 23, outro gênio, Chico Anysio. O Correio Braziliense (24) conta que ele era um artista multimídia, antes mesmo de a expressão ser inventada. “Começou no rádio. Fez teatro e cinema. Escreveu dezenas de livros. Compôs música. Cantou. Mas foi na TV que se consagrou como o maior humorista brasileiro de todos os tempos. Os 209 personagens que criou divertiram várias gerações de brasileiros. E bordões como “Afe, tô morta”, do pai de santo Painho, e “E o salário, ó!”, do saudoso professor Raimundo, caíram no gosto popular”.

Em “Adeus, Chico”, o Estado de Minas fez uma bela chamada de capa dia 24. “Salomé, Pantaleão, Popó, Coalhada, Bozó, Painho, Professor Raimundo, Alberto Roberto, Nazareno, Al Cafone, Alfacinha, Azambuja, Baiano, Bandeira, Bento Carneiro, Bexiga, Bonfá, Bonfim, Bóris, Brazuca, Bronco Billy, Bruce Kane, Caetano Codô, Caio Malufus, Canavieira, Caramuru, Cascata, Castelinho, Chiquitim, Cleofas, Comandante Alencar, Coronel Bezerra, Coronel Candinho, Coronel Lidu, Coronel Limoeiro, Coronel Lindomar, Delegado Matoso, Divino, Dona Dedé, Dona Ilária, Doutor Rosseti, Doutor Salgado, Esquerdinha, Flora Romão, Franciscano, Frota, Fumaça, Galileu, Gastão, Genival, Haroldo, Hilário, Jean Pierre, Jovem, Justo Veríssimo, Karlos Kafunga, Lingote, Linguinha, Lobato, Lobo Filho, Lord Black, Maria Baiana, Mariano, Meinha, Milton Gama, Mirandinha, Napoleão, Neyde Taubaté, Nicanor, Olindo, Osvaldão, Padre Miguel, Paulo Jeton, Primo Rico, Profeta, Prometeu, Quem-Quem, Quirino, Roberval Taylor, Santelmo, Setembrino Republicano, Seu Jayme, Silva, Simplício, Tan-Tan, Tim Tones, Urubulino, Valentino, Véio Zuza, Vieira Souto, Virgílio, Vovó Zefa, Washington, Zé da Silva, Zelberto Zel e muitos outros personagens que são a cara do Brasil”. (…)

Chico Anysio morreu aos 80 anos de falência múltipla de órgãos, como Millôr Fernandes, aos 88 anos, depois do agravamento de suas doenças.

CHORO

No mesmo dia da viagem de Millôr, foi-se “A voz veloz da rainha do choro”, como noticiou a Folha de S. Paulo. Ademilde Fonseca, vítima de mal súbito, aos 91 anos, “tinha como marca registrada a destreza com que cantava versos enormes em velocidade inacreditável. Sua última gravação aconteceu no começo deste ano, em “Lágrimas e Rimas”, álbum da cantora Ana Bello que deve chegar às lojas em abril. As duas dividem vocais no choro “Arrasta-Pé” (Waldir Azevedo/ Klécius Caldas)”.

FRASE

“O que faz um papa, qual é a sua missão?”

Pergunta do ex-ditador cubano, Fidel Castro, ao papa católico Bento 16, com quem se encontrou durante visita a Havana, dia 28. Fidel foi excomungado pela Igreja Católica em 1962, após declarar adesão ao comunismo. (Folha de S. Paulo, (29), segundo relato do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, para quem o encontro foi “muito animado”.)

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Enxada, terra e ciência

Causa e efeito, ação e reação, o homem e suas circunstâncias – assim é a realidade, na vida e na economia, mesmo relativizando os resultados de cada fato. A economia brasileira pode sofrer muitas dificuldades este ano, em consequência das crises que demoram na Europa e ainda nos Estados Unidos. Não é pouco, embora o discurso oficial seja otimista. Ser otimista é importante, mas “cantar nunca foi só de alegria/Com tempo ruim, todo mundo também dá bom dia!”, como compôs, em “Palavras”, o talentoso Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Junior, 1945/1991).

O Brasil patina em sua pauta de exportações. Reportagem de Luiz Guilherme Gerbelli no jornal O Estado de S. Paulo (12 de março) mostra que somente seis produtos representam 47% do que o Brasil exporta. Minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café. Em 2006, essa participação era de 28,4%.

(Curiosidade: “O Brasil importa café processado, vejam vocês, principalmente de 3 países ricos que não produzem um só grão: Suíça, Grã-Bretanha e Itália. O pior é que esse café importado pelo país é, em boa parte, café… brasileiro”, escreveu na Veja, no ano passado, o jornalista Ricardo Setti).

O texto do Estadão alerta que esse aumento da dependência ganha contornos ainda mais preocupantes porque o maior comprador atual das matérias-primas brasileiras passa por um momento de transição. Na semana passada, a China anunciou que vai perseguir uma meta de crescimento de 7,5% ao ano. A meta anterior era de 8% ao ano. “Ao dizer que vai reduzir o ritmo de crescimento, a China diz, indiretamente, que vai comprar menos insumos”, fala o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Fábio Silveira, economista da RC Consultores, estima estima um recuo de 10% no preço da soja, carne, açúcar e do café este ano.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) definiu US$ 264 bilhões como a meta de exportação, valor 3,1% maior que o do ano passado.

Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), ressalta, porém, que o saldo comercial do País deverá ser menor, porque, além do preço mais baixo das commodities, as importações devem permanecer em um patamar elevado. “Estamos com uma demanda relativamente aquecida em relação ao resto do mundo, principalmente de bens de consumo duráveis”, explicou, em entrevista ao Estadão.

MARCHA À RÉ

Há outras preocupações significativas no emergente Brasil da chamada “nova classe média”.

Helena Nader, biomédica, é presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), membro da Academia Brasileira de Ciências e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), escreve artigo na Folha de S. Paulo (dia 15) sobre “cortes em ciência e o país em marcha à ré”.

“Os cortes de R$ 1,48 bilhão (22%) e de R$ 1,93 bilhão (5,5%), respectivamente, nos orçamentos dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC), anunciados recentemente pelo governo federal, são deveras preocupantes quando se tem como compromissos o desenvolvimento sustentável, a competitividade da economia brasileira e o bem-estar de nossas gerações presentes e futuras.

Outros trechos: “Não se duvida das necessidades macroeconômicas que levaram o governo a promover uma redução de R$ 55 bilhões em seus gastos em 2012. Mas não podemos concordar que, em nome do aumento do superávit primário e da redução da dívida pública, seja comprometido o futuro do Brasil e dos brasileiros”.

“Não sabemos o quanto os cortes no MCTI e no MEC ajudarão no desempenho das contas federais, mas temos certeza sobre as suas repercussões na vida do país: prejuízos às medidas que visam reduzir o nosso inaceitável déficit educacional e à projeção no  cenário científico e tecnológico mundial, além da diminuição da já precária competitividade da indústria brasileira”.

COMPARAÇÃO

A presidente da SBPC lembra que educação de qualidade e produção de C&T (Ciência e Tecnologia) avançadas são prioridades para o desenvolvimento nacional.

“Para ficar na comparação apenas com dois emergentes, a Coreia do Sul ocupa a 15ª posição no ranking de IDH e tem renda per capita PPC (paridade de poder de compra) de US$ 31.753; a Finlândia tem a 22ª posição no IDH e renda per capita PPC de US$ 40.197. Já o Brasil ocupa a 84ª posição, com renda per capita PPC de US$ 11.767. Os investimentos públicos e privados em P&D (pesquisa e desenvolvimento) nesses países com relação ao PIB: Finlândia, 3,84%; Coreia do Sul, 3,36%; Brasil, 1,19%”.

O último parágrafo do artigo de Helena Nader: “Temos claro que os cortes no MEC e no MCTI causarão prejuízos infinitamente maiores do que o montante que se está economizando agora”.

FRASES

“Se Brasil, China e Índia decidirem copiar o estilo de vida dos desenvolvidos, serão necessários cinco planetas Terra”.

Sha Zukang, chinês, secretário-geral da Organização das Nações Unidas para a Rio+20, em entrevista ao O Globo, citado em Veja (dia 14, data de capa).

“Adriano só tem chance de jogar futebol, em bom nível, quando tratar, para valer, de seus problemas psíquicos e sociais, por quem entende muito do assunto. Não adianta apenas dar conselhos nem tapinhas nas costas”.

Tostão, cronista esportivo, um dos principais jogadores de futebol da história no Brasil, médico e psicanalista, na Folha de  S. Paulo (dia 14).

Acompanhe mais:

http://www.youtube.com/watch?v=w9ZkTqdF8Q0

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/burocracia-burra-faz-brasil-importar-seu-proprio-cafe/

José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

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A coincidência que veio do frio

Madrugada de sábado, 25 de fevereiro de 2012. Locais: jornal O Estado de S. Paulo, com sede no bairro da Casa Verde, na  capital paulista. Muito distante dali fica a Estação Antártida Comandante Ferraz, base brasileira no continente.

Na manhã de sábado, o Estadão publica informação sigilosa de que embarcação brasileira com diesel afunda na Antártida. “Uma chata rebocada pela Marinha afundou em dezembro no litoral da Antártida com uma carga de 10 mil litros de óleo diesel anticongelante, informa o repórter Sérgio Torres. O naufrágio é mantido em sigilo pelo governo. Um compartimento da embarcação armazena o combustível, que não vazou. Ela está a 40 metros de profundidade e a 900 metros da Estação Antártida Comandante Ferraz. Na próxima semana haverá uma tentativa de resgate”.

No dia 26, o mesmo jornal destaca que incêndio destrói base brasileira na Antártida e deixa dois mortos – o fogo começou às 2 horas do sábado, 25.

“A Estação Comandante Ferraz, base militar e científica na Antártida, foi destruída em um incêndio. Havia 60 pessoas na estação, metade delas pesquisadores de universidades nacionais. Dois militares morreram e um ficou ferido. Os outros ocupantes da base escaparam ilesos. O fogo começou às 2h na praça das máquinas, onde funcionavam os geradores, e se alastrou com rapidez. Os sobreviventes foram levados de helicópteros para a base chilena Eduardo Frei e serão transportados por um avião da Força Aérea da Argentina para a cidade chilena de Punta Arenas”.  Inicialmente, “em comunicado oficial, a Marinha não reconheceu as mortes nem a destruição da base”, registra o Estadão.

Segundo informações preliminares da Marinha, um incêndio nos geradores de energia causou a explosão, escreve a Folha de S. Paulo (26).

“Após reduzir verba, governo promete nova base em 2 anos”, traz na manchete O Globo (26).  “Depois de gastar apenas metade do orçamento previsto para o programa brasileiro na Antártica no ano passado, deixando de aplicar R$9 milhões, o governo promete agora reconstruir em dois anos a Estação Comandante Ferraz. Um incêndio na madrugada de sábado matou dois militares (da Marinha) e destruiu 70% das instalações. Pesquisadores choravam ontem a morte dos companheiros de missão e a destruição de pesquisas. O governo estuda usar o navio polar Almirante Maximiniano como base provisória”.

Os mortos, enterrados no Brasil com honras militares e homenagem da presidente Dilma Rousseff são:

“Sargento Roberto Lopes dos Santos. Era sua 3ª missão na Antártica. Morava em Nilópolis (RJ), gostava de fotografar e tinha 45 anos. Suboficial Carlos Alberto Figueiredo. Baiano de 47 anos, estava na Marinha há 30. Tinha planos de se aposentar em março”.

DESCONHECIDO

A ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer, escreve dia 4 de março, em “A notícia que veio do frio” (inspira o título deste blog), que “o incêndio na Antártida, continente que a Folha visitou recentemente, foi subestimado pelo jornal. “Não se trata de desprezo pelo continente mais frio e desconhecido do mundo.O jornal bancou recentemente uma viagem caríssima de uma dupla de jornalista e fotógrafo à Antártida, relatada na “Serafina” (revista da publicação) de janeiro e devidamente destacada na primeira página”.

Veja (7 de março, data de capa) reduziu o assunto a uma nota na página de “Datas”. “Diversos grupos de pesquisa tiveram seus estudos afetados. Estima-se que mais de 40% do material científico tenha sido atingido”.

A Folha retomou o tema dia 5, com a chamada de capa “Inferno no gelo”. “Era 1h de sábado. Um colega pesquisador abriu a porta do quarto e anunciou o incêndio. Saí literalmente com a calça na mão”, conta o cientista Caio Cipro, 30, que acompanhou o resgate de um militar ferido na base brasileira na Antártida, destruída pelo fogo.

O Senado ouve dia 6 de março o ministro da Defesa, Celso Amorim, sobre o acidente, segundo o Valor Online (2).

SIMBÓLICO

De acordo com Cristina Engel de Alvarez, arquiteta que coordenou parte da construção da base Comandante Ferraz, na Antártida, ainda não é possível prever se a nova base ficará pronta em dois ou três anos. “Na Antártida só é possível construir durante o verão. Portanto, as construções só podem começar no ano que vem. Além deste limite por causa do clima, é preciso limpar o terreno, comprar material, a construção também exige toda uma logística de navios que é muito complicada”, disse ao iG (27).

O incêndio que atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz pode ter sido um acidente, mas é simbólico de uma crise no  Programa Antártico Brasileiro (Proantar), diz Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, maior referência da ciência brasileira na Antártida, segundo a Agência Estado (27). “Outros sintomas, diz ele, são o fato de o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel – essencial às operações no continente gelado – estar quebrado há quase dois meses, no porto de Punta Arenas (Chile), e a barca cheia de combustível que afundou perto da base em dezembro, conforme noticiado pelo Estado“.

Estações da Rússia e da Argentina já tiveram parte destruída por causa de incêndios nos últimos anos.

A Estação Antártica Comandante Ferraz é uma base pertencente ao Brasil localizada ilha do Rei George, a 130 km da Península Antártica, na baía do Almirantado, Antártica. Começou a operar em 6 de fevereiro de 1984, informa a Wikipédia.

FRASE

“Foi apavorante, nunca vi nada igual. Foi tudo muito rápido, perdi tudo, até minhas roupas. Não sei se volto”.

Teresinha Abaher, oceanógrafa, lamentando o incêndio na base brasileira na Antártida.  Fonte: Veja.

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A voz do dinheiro e a banda curta

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), segundo o deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), defende as empresas, não os consumidores; permite-se que as empresas entreguem 10% da internet prometida e que vendam o patrimônio público.

“O contrato das operadoras com os clientes obriga a entrega de uma banda mínima de apenas 10% da velocidade vendida. Se o consumidor comprou dez megabytes, vai receber apenas um megabyte”, escreve, em artigo na Folha de S. Paulo (22 de fevereiro de 2012).

Na opinião dele, o descaso da Anatel e do governo com os consumidores não para por aí. “Um dos termos no contrato de concessão era que a concessionária deveria devolver os bens da União depois do final do contrato ou então repassá-los para um novo concessionário. Em 2008, ao ratificar o contrato, o governo poderia pegar alguns bens de volta para beneficiar a população. A Anatel, porém, permitiu que as operadoras vendessem o patrimônio público. Só a venda de um terreno (em frente ao Palmeiras, em São Paulo) rendeu um valor na casa do bilhão. O local poderia servir para construir um imenso parque, escolas e creches”.

No mesmo dia e no mesmo jornal, o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o frei Betto, assessor de movimentos sociais, escreve o artigo “Dilma e a crise global”, sobre encontro que teve com a presidente Dilma Rousseff, acompanhado de Leonardo Boff e de sua mulher, Márcia Miranda. Frei Betto reporta que “o Brasil está vacinado contra o neoliberalismo, ela nos disse; Dilma teme, porém, que a crise mundial torne agências de risco mais importantes do que o povo”.

AGÊNCIAS DE RISCO

Em outro trecho, Betto conta que a presidente alertou que o pós-neoliberalismo não pode coincidir com a pós-democracia. “Manifestou, assim, o temor de que medidas tomadas para superar a crise financeira mundial torne as agências de risco econômico mais importantes do que os povos que elegeram seus governantes”. (Acrescento: Economistas ligados a agências de risco integram governos em crises que não souberam prever.)

As agências de risco – empresas privadas que fazem avaliações e dão notas sobre a economia de países – são destaques no cenário da crise econômica global, que afeta, por exemplo, a Grécia, que perde sua soberania econômica, diante da União Europeia, de que faz parte. “Mesmo com todas as obrigações e com a perda de soberania econômica, o premiê grego, Lucas Papademos, classificou de “histórico” o acordo, que permitirá ao país saldar um total de 14,5 bilhões de euros em dívida com vencimento em 20 de março, evitando o calote”, destaca o jornal O Estado de S. Paulo na manchete de capa (22).

O analista Wolfgang Münchau, do Financial Times, reproduzido na Folha (21), afirma que “Alemanha pressiona Grécia a abrir mão da sua democracia”, ao referir-se ao ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que propôs que a Grécia adiasse suas eleições como condição para receber nova ajuda.”A zona do euro quer impor sua escolha de governo à Grécia, no que a transformaria em sua primeira colônia. (…) Uma coisa é os credores interferirem no gerenciamento de políticas de um país beneficiário. Outra é dizer a ele para suspender eleições. Na própria Alemanha, isso seria inconstitucional. (…) A estratégia alemã parece ser tornar a vida na Grécia tão insuportável que os próprios gregos vão querer sair da zona do euro. A chanceler alemã, Angela Merkel, certamente não quer ser vista com uma arma na mão.É uma estratégia de suicídio assistido, uma tática extremamente perigosa”.

ANOTE

Brasil Econômico (22) mostra quanto os bancos gastam para ganhar R$ 100; “Instituição mais eficiente é o Safra, que gasta R$ 40,20 para ter R$100 em receita. Banco Votorantim gasta mais que o dobro – a R$ 83”.

“ZÉ NINGUÉM”

Segue, agora, uma letra de música de anos atrás, que se perpetua no Brasil. É “Zé Ninguém”, da banda Biquini Cavadão (Bruno Gouveia — vocal, Carlos Coelho — guitarra, Miguel Flores — teclado, Álvaro “Birita” Lopes — bateria, na primeira formação).

Quem foi que disse que amar é sofrer?
Quem foi que disse que Deus é brasileiro,
Que existem ordem e progresso,
Enquanto a zona corre solta no congresso?
Quem foi que disse que a justiça tarda mas não falha?
Que se eu não for um bom menino, Deus vai castigar!

Os dias passam lentos
Aos meses seguem os aumentos

Cada dia eu levo um tiro
Que sai pela culatra
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes

Quem foi que disse que os homens nascem iguais?
Quem foi que disse que dinheiro não traz felicidade?
Se tudo aqui acaba em samba,
no país da corda bamba, querem me derrubar!!
Quem foi que disse que os homens não podem chorar?
Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta?
A minha acabou faz tempo, agora entendo por que ….

Cada dia eu levo um tiro
Que sai pela culatra
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes (4X)

Os dias passam lentos
Os dias passam lentos

Cada dia eu levo um tiro
Cada dia eu levo um tiro
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes…

Link do vídeo: http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/44611/

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Fora e dentro da escola: “3 + 3 = 7”

Propaganda e tamborins à parte, “apenas 35 cidades brasileiras – 0,6% do País – têm metade ou mais de seus alunos com aprendizado em matemática adequado à série que cursam”, escreve o jornal O Estado de S. Paulo (dia 8 de fevereiro). “No caso da língua portuguesa, esse índice é de 1,2%. Ou seja: apenas 67 municípios apresentam a metade ou mais de seus estudantes com conteúdo satisfatório para o ano da escola em que estão. Isso significa que a grande maioria ainda não aprendeu a identificar o conflito e os elementos que constroem a narrativa de um texto, por exemplo”.

Os dados se referem ao 9º ano do ensino fundamental das redes públicas, são de 2009 e constam do relatório anual do movimento Todos Pela Educação, apresentado dia 7. “É uma crise que estamos vivendo no País, e toda a ineficiência desse sistema acaba desaguando no ensino médio: apenas 11% dos que concluem têm aprendizado suficiente em matemática”, afirma Priscila Cruz, diretora executiva do movimento.

A meta do Todos Pela Educação é de que, até 2022, 70% ou mais alunos tenham aprendido o conteúdo ensinado em sua série, escreve o Estadão.

Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que o problema da aprendizagem depende de um conjunto de fatores, que passa até mesmo pela infraestrutura da escola. “A qualidade do equipamento escolar hoje é muito baixa. Não é só um problema curricular ou de motivação do docente: a escola deve promover a cidadania por meio de sua infraestrutura.”

FORA DA ESCOLA

O Brasil tinha 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola em 2010, destaca O Globo (dia 8). “Esses 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola excedem a população do Uruguai. É uma população mais difícil de incluir porque são os estão no campo, em favelas, em bairros muito pobres”, disse Priscila Cruz. O estado que tem o maior percentual de crianças e adolescentes fora da escola é o Acre (15%). Já Rio e São Paulo têm, respectivamente, 6,8% e 7%.

O movimento Todos Pela Educação, que é financiado pela iniciativa privada, desde 2006 acompanha as condições de acesso e alfabetização. “Para isso, estabeleceu cinco metas, que têm prazo final de cumprimento em 2022. Além da meta de incluir todas as crianças de 7 a 14 anos na escola, quer que elas estejam alfabetizadas aos 8 anos, que todo aluno tenha aprendizado adequado à série e que todo jovem tenha concluído o ensino médio até os 19 anos. Quer ainda que o investimento seja ampliado”.

O Estadao.com, dia 19 de janeiro, reporta que o Relatório de Monitoramento de Educação para Todos de 2010, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), mostra que a qualidade da educação no Brasil é baixa, principalmente no ensino básico.

“O relatório da Unesco aponta que, apesar da melhora apresentada entre 1999 e 2007, o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente acima da média mundial (2,9%)”.

No ranking geral do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil é o 53º colocado entre os 65 países participantes, segundo o Brasil Escola.

“O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Todos pela Educação). Professores recebem menos que o piso salarial”, detalha trecho de texto da pedagoga Eliane da Costa Bruini, do Centro Universitário Salesiano de São Paulo e colaboradora do Brasil Escola (17 de setembro de 2011).

PROFESSORES

“Já sabemos que não basta, como se pensou nos anos 1950 e 1960, dotar professores de livros e novos materiais pedagógicos. O fato é que a qualidade da educação está fortemente aliada à qualidade da formação dos professores. Outro fato é que o que o professor pensa sobre o ensino determina o que o professor faz quando ensina. O desenvolvimento dos professores é uma precondição para o desenvolvimento da escola e, em geral, a experiência demonstra que os docentes são maus executores das ideias dos outros. Nenhuma reforma, inovação ou transformação – como queira chamar – perdura sem o docente”.

“Mudanças profundas só acontecerão quando a formação dos professores deixar de ser um processo de atualização, feita de cima para baixo, e se converter em um verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão”, reflete Eliane da Costa Bruini.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comentou para a imprensa o relatório do Todos pela Educação. Mercadante disse que o problema de crianças e jovens fora da escola se concentra na pré-escola e no ensino médio, e que o governo trabalha nessas duas frentes: por um lado, quer acelerar o ProInfância. De outro, aposta na oferta de ensino técnico-profissionalizante para quem cursa o ensino médio.

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A doença do atraso e da pobreza

O Brasil da chamada “nova classe média”, dos “tablets” e outras modernidades tecnológicas, “embora tenha eliminado, há seis anos, o barbeiro Triatoma infestans, não conseguiu proteger os brasileiros mais pobres das outras espécies do inseto”. “São 3 milhões os portadores do mal e 606 municípios (11% do país) com alto risco de infestação”, escreve o Correio Braziliense (5 de fevereiro), em série de reportagem assinada por Vinícius Sassine. “Outros 1.490 municípios (26,9%) têm um risco médio”.

“OS GRINGOS”

De Goiás, Sassine conta: O Estado, para uma legião de doentes de Chagas nas comunidades rurais de Posse, cidade de 31,4 mil habitantes distante 320km de Brasília, se resume a dois “gringos”.

“Interessados no mapeamento genético das famílias e em respostas para a evolução da doença,os norte-americanos escolheram uma região antes completamente infestada por barbeiros e hoje habitada por herdeiros de um mal esquecido. A dupla do Texas aparece uma vez por semestre, há 10 anos. Não há, num local tão isolado no Centro-Oeste brasileiro, quem não conheça os “gringos”, como são chamados pelos moradores”.

É triste ler, a seguir, que o Estado brasileiro se esqueceu desses doentes crônicos (são pelo menos 3 milhões de doentes). “Inexistem diagnósticos, exames, acompanhamento, tratamento médico. Saber, pelos “gringos”, da manifestação da doença é um irônico detalhe”.

“DOENÇA DA POBREZA”

Na segunda reportagem da série (6 de fevereiro), o Correio Braziliense considera que a indústria farmacêutica despreza a doença porque não dá lucro.

“A indústria farmacêutica desistiu de mais uma doença da pobreza, e isso já faz nove anos. Desde 2003, a Roche Farmacêutica não fabrica o rochagan, nome ainda usado por quem tem Chagas para denominar o benznidazol. A licença foi transferida para um laboratório público, o Lafepe, que só produziu os primeiros lotes do medicamento cinco anos depois. Suspensa a fabricação no ano passado, o problema ganhou contornos internacionais. O Lafepe é o único no Brasil e no mundo a produzir o benznidazol. Praticamente todos os pacientes do mal de Chagas, a maioria deles na América Latina, dependem do medicamento produzido em Pernambuco”.

“O acompanhamento, o custeio da produção e a regulação dos estoques de benznidazol são responsabilidades do Ministério da Saúde. Apesar de o presidente do Lafepe ter admitido ao Correio que a produção do benznidazol foi paralisada por sete meses, o Ministério da Saúde diz que “não é verdade” que o medicamento deixou de ser produzido”.

“Além do desabastecimento interno, países que pagaram pelo medicamento entraram numa fila deespera. É o que atestaram participantes da 27ª Reunião de Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas, realizada em Uberaba (MG), em outubro do ano passado”.

HOMICÍDIOS POR 100 MILHABITANTES NAS CAPITAIS

1º lugar – Maceió, 109,9 homicídios;

2º       – João Pessoa, 80,3;

3º       – Vitória, 67,1;

4º       – Recife, 57,9;

5º       – São Luís, 56,1;

6º       – Curitiba, 55,9;

7º       – Salvador, 55,5;

8º       – Belém, 54,5;

9º       – Porto Velho, 49,7;

10º      – Macapá, 49.

Famosas, as capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo ocupam, respectivamente, a 23ª e a 27ª posições no Brasil. O Rio com 24,3 homicídios por 100 mil habitantes; São Paulo com 13.

Fonte: Mapa da Violência 2012 – Instituto Sangari.

FRASE

“Queremos em especial homenagear irmãos cujo sofrimento ao longo da história lembra muito o que nós judeus sofremos: nossos irmãos negros, protagonistas de uma história tão bela,  tão rica culturalmente, mas indelevelmente marcada por sofrimentos indescritíveis na escravidão”.

Claudio Lottenberg, médico oftalmologista e presidente do Hospital Albert Einstein de São Paulo e da Confederação Israelita do Brasil, discursando em Salvador, Bahia, na solenidade do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto. (Veja,8 de fevereiro, data de capa.)

Fontes:

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/5/chagas-o-retrato-do-atraso

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/2/6/falta-remedio-para-doentes-de-chagas

Ilustração: Google Images

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A arte de furtar, a internet e o lixo

A revista Época (30 de janeiro, data de capa), baseada na análise de casos recentes, lista as modalidades de corrupção mais comuns no Brasil – e propõe ideias para diminuir a roubalheira.

Em “Anatomia da corrupção”,  Marcelo Rocha pretende passar a mensagem (para os governantes) de que “a tolerância do eleitor com os “malfeitos” é muito menor em sociedades democráticas e com imprensa livre” e (para o eleitor) de que “saber como se rouba ajuda na fiscalização dos políticos”.

A reportagem começa por lembrar que o livro “Arte de furtar” foi concluído em 1656. “Atribuído ao Padre Antônio Vieira (mais tarde essa autoria seria contestada), o documento era endereçado ao rei de Portugal, Dom João IV, um dos primeiros representantes da Casa de Bragança. Com o intuito de alertá-lo sobre os malfeitos de seus súditos no além-mar, a obra lista as diversas maneiras encontradas pelos representantes da coroa portuguesa para desviar dinheiro público na colônia (o Brasil)”

Época escreve que não existe sociedade cuja população seja mais ou menos propensa ao roubo. “Uma pesquisa científica feita anos atrás mostrou que, diante de uma situação de dilema ético, cerca de 10% das pessoas agem de acordo com rígidos princípios morais, outros 10% agem de forma a tirar o máximo de vantagem, mas a maioria absoluta, cerca de 80%, se pauta principalmente pela possibilidade de ser apanhada”.

“No ano passado, a Controladoria-Geral da União (CGU) apurou desvios que chegam a R$ 1,8 bilhão. (…) Desde 2002, quando a CGU passou a consolidar os números, os desvios somam R$ 7,7 bilhões. Esses valores representam o montante que deve ser cobrado dos responsáveis por essas irregularidades, mas, sabidamente, está longe de ser o montante que foi roubado no Brasil”.

A revista considera que, ao ler sobre corrupção praticamente todos os dias na imprensa, é comum que o cidadão muitas vezes se sinta perdido, confuso, desorientado. “O guia  de Época visa mostrar que, de maneira geral, a corrupção não é algo tão complexo e rocambolesco como muitas vezes pode parecer. “Como uma carta endereçada ao cidadão brasileiro, da mesma forma que Arte de furtar se dirigia ao rei Dom João IV, o objetivo singelo desse levantamento é mostrar como se rouba no Brasil atual. Sempre tendo em vista que, entre estes cidadãos, está a presidente Dilma Rousseff, tão preocupada com os “malfeitos”.

SETE ESQUEMAS


(Atualização de texto) Resumo dos sete esquemas que os corruptos usam para meter a mão em nosso dinheiro estão nas modalidades (1) dos que furtam por meio de obras (fraudes em licitações), (2) por meio de eventos (superfaturamento), (3) por meio de serviços de qualificação profissional (invenção de cursos, número de alunos), (4) por emendas parlamentares (tráfico de influência na contratação de serviços), (5) por ONGs-Organizações Não Governamentais (falsificação de notas, simulação de serviços), (6) por contratos de publicidade (preços fictícios, direcionamento de editais) e (7) por meio de consultorias (contratos sem licitação, serviços não executados).


Para diminuir a corrupção, Época propõe (1) tornar a Justiça mais ágil para punir os corruptos, (2) diminuir o número de nomeações (“cerca de 24 mil cargos na administração direta da União e nas estatais podem ser ocupados por gente que não prestou concurso”), (3) aumentar o poder e a especialização dos órgãos fiscalizadores e (4) garantir o funcionamento efetivo da lei de acesso à informação.

“SOPA INDIGESTA”

Carta Capital (1º de fevereiro, data de capa) traz a manchete “A Guerra da Internet – Trava-se um embate decisivo para a cultura no mundo”, ampla reportagem sobre a colocação de “cercas no ciberespaço”. Aborda, entre outros pontos, o draconiano Sopa (Stop Online Piracy Act, ou Ato para deter a pirataria online), projeto apresentado na Câmara dos Estados Unidos pelo deputado republicano Lamar Smith.

A proposta “proibiria provedores de dar acesso a sites infratores e buscadores como o Google de exibir seus links. Publicitários e sistemas de pagamento online seriam proibidos de fazer negócios com eles. A distribuição de mídia online (streaming) não autorizada seria um crime passível de cinco anos de prisão”.

Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, fala de um caso que se aplica à proibição de exibição de links. “É como mandar o Guia de São Paulo tirar uma rua inteira do mapa porque ali há uma casa de má reputação”, compara.

Em outro texto, mostra-se que a ameaça está momentaneamente superada, por conta da reação da internet, a exemplo do dia de protesto de sites como o Google e o Wikipedia (assunto que tratei anteriormente neste blog). A indústria de propriedade intelectual e de bens culturais sob copyright norte-americano mudou o discurso, buscando jogar o debate para o campo comercial (“contrabando”, “contrafação” e “práticas comerciais desleais”). “Isso permite afastar o debate da sociedade e fazer com que dispositivos como o Sopa e o Pipa (Protect IP Act, ou Ato de proteção do protocolo da internet) sejam incorporados em tratados internacionais, cujo processo de adoção é muito mais blindado de pressões políticas”, avalia, em Carta Capital, Ronaldo Lemos, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas.

Lemos, em artigo na Folha de S. Paulo, dia 23 de janeiro, recorda a semana recente, agitada por protestos contra o Sopa. “A maioria deles, no entanto, deixou escapar o elemento mais importante: o Sopa é uma ferramenta para reforçar a hegemonia comercial do país na internet. Disfarçado de medida antipirataria, o Sopa dá aos EUA o poder de bloquear qualquer site do mundo -e, assim, impedir seu acesso ao mercado americano”.

Outro trecho: “Se o site é americano, está isento do Sopa. O estrangeiro é alvo da indústria e da lei. Esse tipo de barreira comercial é inédita”.

A revista Época, na seção de Opinião, com o título “Ingenuidade e cinismo”, considera que o espírito das leis dos Estados Unidos – Sopa e Pipa – deve ser aplaudido. “Elas tentam deixar claro, antes de mais nada, que a cópia ilegal tem de ser punida.(…) Com as leis que protegem o direito autoral empacadas no Congresso americano – depois de protestos vigorosos na internet -, quem lucra são os piratas”.

NO BRASIL, O AI-5 DIGITAL

Aqui a batalha está na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. “Lá, em junho de 2011, o deputado Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas Gerais, tentou ressuscitar o malfadado Projeto de Lei 84/1999, também conhecido pela singela alcunha de AI-5 Digital. A comparação com o Ato Institucional da ditadura, implantada pelo golpe de 1964, não é aleatória. Assim como o coirmão gestado pelos generais da linha-dura de então, o projeto de Azeredo prevê a implantação de um sistema de vigilância, delação, intimidação e criminalização de diversos direitos dos internautas brasileiros, hoje em torno de 80 milhões de pessoas”.

O texto primário do projeto foi apresentado em 1999 pelo ex-deputado Luiz Piauhylino, também do PSDB (PE). Segundo Carta Capital, a Azeredo, contudo, coube adaptar o texto aos interesses dos poderosos lobbies de bancos e das multinacionais de direitos autorais, principalmente as grandes corporações do entretenimento dos Estados Unidos. “Azeredo sempre cita o combate ao crime de pedofilia na internet, como uma das razões para aprovar o PL 84/1999. Seria, realmente, uma boa iniciativa não fosse o fato de já existir ampla legislação no País sobre o tema, decorrente, inclusive, das resoluções de uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado”, escreve a revista.

“É uma maneira de encobrir os verdadeiros interesses do texto”, avalia o deputado Emiliano José (PT-BA). O texto de Azeredo continua uma ameaça legislativa, mas tem registrado um fracasso atrás do outro. “A primeira reação veio , justamente, da rede mundial de computadores: 120 mil pessoas assinaram uma petição online, com o pedido de interdição do AI-5 Digital”.

Carta Capital, frente à guerra da internet nos Estados Unidos, pondera: “Mas não haverá proposta politicamente aceitável enquanto um lado se agarrar a um radicalismo libertário irreal e o outro a uma defesa igualmente dogmática e intransigente de um direito absoluto à propriedade. O interesse da sociedade e do progresso dificilmente estará em qualquer dos extremos”.

OS COMPUTADORES SUMIRAM

Relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) ao qual Folha de S. Paulo (30 de janeiro) teve acesso mostra que cerca de R$ 6,4 milhões em bens doados pelo órgão aos tribunais estaduais desapareceram. São 5.426 equipamentos, entre computadores, impressoras e estabilizadores.

MAIS LIXO…

Vice-presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), coordenador do Ires (Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental) e presidente do Cenma (Centro Nacional de Modernização Empresarial), Lívio Giosa escreve na Folha de S. Paulo (dia 30 de janeiro) o artigo “Menos sacolas, mais lixo nas ruas”, afirmando que o debate sobre o acordo do governo com os supermercados a respeito do banimento das sacolas plásticas tem de começar imediatamente e em nome da verdade.

“Até agora, parece que os argumentos político e econômico afloram, já que o meio ambiente está só de pano de fundo. (…) As sacolas plásticas, escreve Giosa em outro trecho) significam somente 0,2% dos aterros sanitários. Elas são muito menos poluentes em todo ciclo de produção e, principalmente, são reutilizáveis”.

Os supermercados gastam R$ 500 milhões ao ano com as sacolinhas plásticas. Ao tentar bani-las, a pergunta é: eles irão repassar esse custo ao consumidor diminuindo o valor dos produtos. Esse mesmo consumidor já adquiriu um direito, e agora resolveram tirá-lo sem consultar”.

Outros reflexos da decisão: “Só em São Paulo, mais de 100 mil trabalhadores, direta ou indiretamente, perderão seus empregos”. “Veremos muito lixo jogado nas ruas ou em caixas de papelão. Vai ocorrer uma ampliação das doenças infecciosas”.

JORNAL DO BRASIL

Este blog não é mais publicado simultaneamente com o Jornal do Brasil, www.jb.com.br. Desejo aos meus amigos e jornalistas do JB – que trabalham incansavelmente pela preservação da marca – muita força e sucesso.

PESAR

Líder empresarial, faleceu Lourenço Chohfi, ex-presidente do Conselho de Administração e da Diretoria da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. A missa de sétimo dia, na Catedral Ortodoxa de São Paulo, foi realizada dia 26. Meu pesar, minha gratidão e minha homenagem a Lourenço Chohfi – a empresa então comandada por ele, Ragueb Chohfi, foi a primeira cliente da minha Mais Comunicação, em 1986.

Texto divulgado também em:



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José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

E-mail: joseaparecidomiguel@gmail.com