Incontroláveis

“Black Blocs – Depredação nas ruas” é o principal destaque da revista Carta Capital (7 de julho de 2013,data de capa), para quem o termo surgiu de forma confusa na imprensa nacional. “Seriam jovens anarquistas anticapitalistas e antiglobalização, cujo lema passa por destruir a propriedade de grandes corporações e enfrentar a polícia. Na capa dos jornais e na boca dos âncoras televisivos, eram a “minoria baderneira” em meio a “protestos que começaram pacíficos e ordeiros”. Uma abordagem simplista diante de um fenômeno complexo”, escreve.

“O que nos motiva é a insatisfação com o sistema político e econômico”, diz Roberto (nome fictício), 26 anos, e três Black Blocs na bagagem. Segundo a revista, ele não se identifica por razões óbvias: o que faz é ilegal.

PALAVRA E VIOLÊNCIA

Durante os atos de junho, destaca, não faltaram críticas: eles só seriam válidos se pacíficos. “Mas como protestar pela palavra se é ela o suporte por meio do qual o Estado de Direito exerce violência?”, indaga o professor de teoria política Nilo Avelino, do Grupo de Estudos e Pesquisas Anarquistas da Universidade Federal da Paraíba.

A denominação surgiu na Alemanha nos anos 80. Em 1999, manifestaram-se com violência em Seatle (EUA), quando a Organização Mundial do Comércio ali se reuniu. “Tais manifestações tendem a ocorrer cada vez mais desse jeito: instantâneas, acéfalas, impossíveis de controlar. Como não são uma organização, mas uma tática condicionada a contextos políticos, os Black Blocs devem surgir com mais freqüência”, prevê a reportagem de Carta Capital.

Derrick Jensen (ativista ambiental), a voz mais crítica sobre os Black Blocs, é taxativo: para quem busca alcançar conquistas sociais concretas, a tática é um desserviço. “Atos gratuitos de destruição com espírito de carnaval não vão arranhar o capitalismo”, defende. “É preciso estratégia, objetivos. E certa ética”.

ASSASSINOS

Veja desta semana (dia 7, data de capa) revela pesquisa exclusiva sobre “Assassinos ao volante – As mortes no trânsito no Brasil já superam os crimes de homicídio”, um efeito do desrespeito às leis e da má qualidade dos motoristas. Em 2012, ocorreram 60.752 mortes no trânsito do país. “Os acidentes matam, em um ano, tanto quanto a guerra civil na Síria nos últimos 20 meses; a guerra do Iraque em 3 anos; a guerra do Vietnã em 16 anos (apenas militares americanos).

O Brasil tem a quinta maior taxa de mortes no trânsito do planeta, segundo o Ministério da Saúde. Pelas estatísticas do DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), o seguro do trânsito, o Brasil é campeão mundial, seguido do Catar, de El Salvador, de Belize e da Venezuela. “Os jovens são as principais vítimas. Do total de mortos no trânsito em 2012, 41% tinham entre 18 e 34 anos de idade (isso equivale a 2 tragédias como a da Boate Kiss em Santa Maria por semana; ao dobro do número de médicos formados anualmente no país).

“A NEGAÇÃO DA JUSTIÇA”

Veja dedica também três páginas ao artigo “A negação da Justiça”, do colunista J. R. Guzzo. Trecho: “Soma-se a isso o entendimento, cada vez mais aceito em nosso mundo jurídico e político, de que a ideia da responsabilidade individual, em pleno vigor em qualquer país civilizado, se tornou obsoleta no Brasil. Aqui, segundo nossos magistrados e legisladores, o indivíduo não deve ser considerado responsável por seus atos. Quando mata, rouba ou sequestra, a culpa não é realmente dele. É da pobreza em que nasceu, da família que não o apoiou, da publicidade que estimula o consumo de coisas que não pode comprar, dos traumas que sofreu, das boas escolas que não teve, dos empregos mal pagos, das vítimas que possuem dinheiro ou objetos desejados por ele, do alto preço dos jeans, tênis e iPhones – enfim, de tudo e de todos, menos dele. E os milhões de brasileiros que têm origens e condições de vida exatamente iguais, mas jamais cometem crime algum – seriam anormais? Não há resposta para observações como essa”.

O resultado está à nossa volta, todos os dias. Vivemos num país que tem 50 000 homicídios por ano – o equivalente, no mesmo período, ao número de mortos na guerra civil na Síria, a mais selvagem em curso no mundo de hoje, escreve Guzzo. “Estimular essa barbaridade toda com leis que multiplicam ao infinito os direitos de assassinos e dificultam ao extremo sua punição, como fazem os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, é agredir a democracia e a Constituição brasileira, que garantem a todos, e acima de tudo, o direito à vida. É negar a liberdade, ao fazer com que o cidadão corra o risco de morrer todas as vezes que sai de casa, ou mesmo quando não sai. (…) É ou não para ter medo?”

ESPIONAGEM AMERICANA

A Época também divulga documento exclusivo, sobre espionagem dos Estados Unidos, e destaca, na capa, “De onde vem a maldade – Novos estudos mostram porque há tanta gente com Félix, o vilão da novela Amor à Vida”.

A revista revela que uma carta ultrassecreta, assinada pelo atual embaixador dos Estados Unidos no Brasil (Thomas A. Shannon Jr, então secretário-assistente do Departamento de Estado e responsável pelo escritório no Hemisfério Sul), mostra como o governo americano se beneficiou das ações da NSA (Agência Nacional de Segurança) na Cúpula das Américas de 2009.

“Em nome do Departamento de Estado, gostaria de expressar meus agradecimentos e dar parabéns pelo especial apoio da inteligência de sinais (captação de informação digital) que recebemos da Agência Nacional de Segurança, na preparação e conclusão da Cúpula das Américas (de 17 a 19 de abril de 2009). Os mais de 100 relatórios que nós recebemos da NSA nos deram uma compreensão profunda dos planos e intenções de outros participantes da Cúpula (…)”.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, considera o episódio um escândalo de proporções globais. “Acha que houve escuta de conversas de diplomatas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e propõe uma governança multilateral na internet. (…) No governo, não tratamos de assuntos reservados ao telefone”.

MALDADE

A respeito de maldade, Walcyr Carrasco, o autor de Amor à Vida, escreve em Época sobre a criação do personagem Félix.

“Por que não um gay cruel? (…) Não admito o ‘politicamente correto’. Pessoas são pessoas. Arrisquei. Criei o vilão gay que vive no armário. Mas num armário ruído por cupins. Ele desmunheca, fala vaidades, é invejoso (…). Recentemente, declarei que sou bissexual. Fui apedrejado por homossexuais, segundo os quais deveria ter me declarado gay. (…) Bastou isso para os jornalistas perguntarem se a experiência bissexual foi a base da criação do Félix. Respondi, sempre: Então, para escrever um livro policial, é preciso cometer um assassinato? (…) Félix  não é uma bandeira a favor ou contra os gays. Cada ser humano tem o direito de escolher sua vida, desde que não prejudique o próximo”.

MELATONINA

IstoÉ (dia 7, data de capa) dá capa para “Melatonina – O super-remédio” e destaca, entre outros temas, “o fogo ‘amigo’contra a presidente Dilma Rousseff”. A revista reporta que recentes estudos provam que a melatonina faz muito mais que ajudar a dormir. Substância fabricada naturalmente pelo organismo, o hormônio é eficaz contra uma ampla gama de enfermidades. “Só para ter uma idéia, a melatonina ajuda a emagrecer, protege contra os danos causados pelo acidente vascular cerebral, auxilia no controle da hipertensão e da diabetes e reduz as crises de enxaqueca”, além de “diminuir a queda de cabelo, provocada por causas genéticas”.

Dose recomendada: máximo de 5mg. por dia. IstoÉ esclarece que a melatonina não é indicada para gestantes e mães em fase de amamentação. (Outras Páginas sugere consulta médica antes de usar remédios.)

PT x DILMA

No texto “O PT contra Dilma”, a mesma IstoÉ reporta que a relação entre a presidente e o partido nunca foi tão tensa. “Envolvidos na contenda política torcem para que os diálogos entre Dilma e Lula possam levar a um consenso sobre 2014(ano de eleição presidencial)”. Três divergências: “1- Petistas estão em campanha pela regulamentação da mídia. Dilma é contra. 2-Petistas criticam Guido Mantega (Ministro da Fazenda) e medidas da política econômica. Dilma sustenta Mantega e defende sua política. 3- Petistas querem debater rumos gerais do governo. Dilma recusa, alegando que querem colocar ‘uma faca no seu pescoço’”.

Frases

CONFIANÇA – “Fechamos o primeiro semestre com 30 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos. Se isso não é confiança, eu não sei o que é. Não acredito que os investidores tenham um instinto suicida”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, em entrevista à revista Veja, onde declara que “a pior coisa para o Brasil é a inflação”.

DELINQUÊNCIAS – “Vivemos imersos num mar de pequenas delinqüências cotidianas que já não notamos, ou então achamos que fazem parte natural e inevitável da vida”.

João Ubaldo Ribeiro, escritor, no artigo “Nós, os desordeiros”, publicado na Veja.

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José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

E-mail: joseaparecidomiguel@gmail.com

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2 Comentários para “Incontroláveis”

  1. sultane@retirements.successfully” rel=”nofollow”>.…

    thanks!…

  2. unlike@underlie.amplified” rel=”nofollow”>.…

    tnx for info!!…


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