Crianças, educação e saúde na contramão dos ufanistas

O Brasil somente será uma Nação importante, uma potência para sua população, no momento em que suas lideranças públicas e privadas se dedicaram à produção de educação de qualidade, para todos, aliada a investimentos bem definidos e proveitosos em ciência e tecnologia.

Por enquanto, na contramão dos ufanistas, temos realidades assim: segundo O Globo, de 28 de agosto de 2012, crianças chefiam 132 mil famílias. “Uma das novidades reveladas a partir do Censo do IBGE é que ainda existem no país 132 mil domicílios sustentados por crianças de 10 a 14 anos”.

O Correio Braziliense, da véspera (27), revela o cenário de ensino falido, prefeito rico. Nas 30 cidades com maior queda na nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o patrimônio dos chefes de Executivos se multiplicou. Houve caso em que o crescimento foi de 1.200%. Detalhes: “Ena Vilma (PP) declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 8 mil em 2008. Hoje tem R$ 281 mil.  Mulher do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, ela comanda o município de Glória (BA), reprovado pelo MEC na avaliação da qualidade do ensino básico oferecido aos alunos. O mesmo aconteceu com Ilso Parochi (PSDB), prefeito da pequena Neves Paulista (SP). O patrimônio dele pulou de R$ 4,5 mil para R$ 70,1 mil em quatro anos. “Eu era padre e não tinha nada. Agora, guardo dinheiro”, tenta se justificar. Para piorar, em 20 das 30 cidades onde houve maior queda na nota do Ideb, os prefeitos ou vices buscam reeleição. A valorização do professor é outro tema deixado de lado no país”.

O jornal Estado de Minas (30 de julho) escreve que a maior seca do semiárido nos últimos 30 anos deixa 22 milhões de brasileiros (12% da população) em 10 estados expostos a uma das piores pragas da política. “Para conscientizar e estimular moradores dessas regiões a denunciar candidatos que praticam esse crime eleitoral, foi lançada a campanha “Não troque seu voto por água. Água é direito seu”. Em alerta, o Ministério Público admite que as poucas denúncias não refletem o tamanho do problema”.

Por outro lado, o Valor Econômico (31 de julho) revela que o medicamento genérico – mais barato – não chega ao Norte e Nordeste. “A venda de medicamentos genéricos cresceu muito no país, mas não de maneira uniforme. Enquanto em São Paulo a fatia dos genéricos chega a 55,1%, no Norte e Nordeste ela ainda é modesta. No Acre e Amapá, a fatia é próxima de zero, segundo estudo da consultoria IMS Health, a pedido do Pró Genéricos. Se os dados indicam grandes oportunidades de crescimento para os fabricantes, também mostram que os consumidores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não estão se beneficiando de produtos cujos preços são 50% menores do que os dos remédios de referência.

DESIGUALDADE E DESPERDÍCIO

Não é à toa que o Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é o 4º país mais desigual da América Latina, conforme noticia O Estado de S. Paulo (22 de agosto). “Estudo da ONU mostra que o Brasil é o quarto país mais desigual da América Latina, atrás apenas de Guatemala, Honduras e Colômbia. De acordo com o relatório, um quarto dos latino-americanos é pobre, ou seja, vive com menos de US$ 2 por dia. No Brasil, 28% da população vivem em favelas. A média da América Latina é de 25%”.

Adalberto Luís Val escreve, no Valor Econômico (27 de agosto), que a perda de alimentos amplia o “Custo Brasil” – e logo na abertura do texto traz questões que merecem reflexão de nossa sociedade. “O Brasil está há pelo menos meia década em franca expansão econômica. Mas uma questão que ainda emperra o desenvolvimento e o crescimento é o chamado custo Brasil. Entre as questões colocadas por um investidor antes de aplicar o seu capital no país estão: os impostos são reduzidos? A mão de obra é barata? Os juros são baixos? Existe uma boa infraestrutura de transportes? A energia é abundante? Há informação científica robusta disponível? Há suporte técnico-científico para as atividades planejadas?

Segundo o autor, há um aspecto que também afeta a conta final do custo Brasil mas que é pouco abordado. “É a questão da fome e do desperdício de alimentos. O Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam comida no mundo. (…) Cerca de 35% de toda a produção agrícola vai para o lixo. (…) Entre os consumidores, os números também são alarmantes. Uma família brasileira desperdiça, em média, 20% dos alimentos que compra no período de uma semana. Em valores, isso representa US$ 1 bilhão, dinheiro suficiente para alimentar 500 mil famílias. Na mesa do consumidor, a situação não é melhor. A Embrapa Agroindústria de Alimentos realizou uma pesquisa em que demonstra que o brasileiro joga fora mais alimentos do que efetivamente leva à mesa. Nas 10 principais capitais do país, o consumo anual de vegetais é de 35 quilos por habitante. No entanto, o desperdício chega a 37 quilos por habitante ao ano, parte do qual relacionado à qualidade inicial do produto e parte relacionada a armazenamento inadequado”.

Mais de 10 milhões de toneladas de alimentos poderiam estar na mesa de milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, escreve Val, no Valor. “Do total de desperdício no país, 10% ocorrem durante a colheita, 50% no manuseio e no transporte dos alimentos, 30% nas centrais de abastecimento e os últimos 10% ficam diluídos entre supermercados e consumidores. Por exemplo, segundo o IBGE, a estimativa é de que 67% das cargas brasileiras sejam deslocadas pelo modal rodoviário, o menos vantajoso para longas distâncias”.

“A EDUCAÇÃO PRECISA DE RESPOSTAS”

A solução, construída permanentemente para o conjunto de problemas que trago aqui, passa obrigatoriamente pela educação. Por isso, certamente, o jornal Zero Hora (RS), dia 28 de agosto, trouxe a manchete “A educação precisa de respostas”.

O texto: Em nova campanha institucional, o Grupo RBS (que edita Zero Hora) reafirma compromisso de colocar suas empresas e seus veículos de comunicação a serviço da qualificação da educação, por meio de seis ações que compartilha com a sociedade. 1 – Divulgar temas relacionados ao ensino com foco prioritário no interesse dos estudantes. 2 – Valorizar a escola como centro de saber e espaço para o desenvolvimento individual e coletivo dos alunos. 3 – Dar visibilidade aos indicadores de qualidade da educação, especialmente às avaliações das escolas. 4 – Defender a valorização dos profissionais do ensino. 5 – Mobilizar a sociedade para participar ativamente no processo educacional, estimulando os pais a se tornarem agentes fiscalizadores da qualidade da aprendizagem. 6 – Destacar e premiar iniciativas inovadoras e positivas de ensino, para que sirvam como referência de qualificação”.

A AGONIA DAS SANTAS CASAS

O alerta vem desde julho, e o problema desde 1988, mas parece desconhecido das autoridades e da sociedade. “A agonia das Santas Casas” é o título de editorial de O Estado de S. Paulo (29 de julho). “A deterioração da situação financeira dessas entidades – que recebem remuneração insuficiente do Estado, embora sejam a principal força auxiliar do Sistema Único de Saúde (SUS) – ocorre continuamente desde a criação do SUS em 1988.

“Se nada for feito a respeito, o valor do débito das Santas Casas atingirá R$ 15 bilhões em 2013 – em 2005, esse montante era de R$ 1,8 bilhão, conforme mostra o jornal Correio Braziliense (22 e 23 de julho). Estamos caminhando para o maior colapso do sistema de saúde da história, disse o deputado federal Luiz Henrique Mandetta, presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara”.

O editorial do Estadão lembra que a saúde é a principal preocupação dos brasileiros na eleição municipal pelo menos em seis capitais e reforça: “Como as Santas Casas e os hospitais filantrópicos são responsáveis por 45% das internações do SUS e por 34% dos leitos hospitalares do Brasil, talvez não seja conveniente, nem do ponto de vista social, nem do ponto de vista social, nem do ponto de vista político, ignorar a importância dessa crise”.

OPINIÃO

“Não há motivo para comemoração e fogos de artifício quando um dos principais partidos do país – e mais, o partido que mobilizou a nação com o discurso da ética – chega ao banco dos réus e às portas da prisão. Disse Peluso: “Nenhum juiz verdadeiramente digno de sua vocação condena ninguém por ódio. Nada me constrange mais do que condenar um réu em matéria penal”. Estamos todos constrangidos. E tristes”.

Eliane Cantanhêde, no artigo “Constrangimento nacional”, na Folha de S. Paulo (30 de agosto), referindo-se ao PT e à declaração do ministro Cezar Peluso – que se aposenta compulsoriamente por  completar 70 anos de idade – durante julgamento do “mensalão” no Supremo Tribunal Federal.

UFANISMO – O ufanismo (jactância ou auto-vangloriação de um país) é uma expressão utilizada no Brasil em alusão a uma obra escrita pelo conde Afonso Celso, cujo título é Porque me Ufano do Meu País, ensina o Wikipédia.

José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.

E-mail: joseaparecidomiguel@gmail.com

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2 Comentários para “Crianças, educação e saúde na contramão dos ufanistas”

  1. highlight@sheer.transition” rel=”nofollow”>.…

    ñïñ çà èíôó!…

  2. soggy@melanesian.economically” rel=”nofollow”>.…

    ñïñ!!…


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