Inédito: Lula, o líder da greve, há 30 anos

José Aparecido Miguel entrevista Lula, dia 3 de abril de 1980. Foto de Clóvis Cranchi Sobrinho.

Áudio

Trago aqui um documento inédito sobre um líder brasileiro, o metalúrgico, o sindicalista, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, a quem, assim, quero homenagear, às vésperas do encerramento de seu mandato. Dia 3 de abril de 1980, véspera de aniversário de 2 anos de meu filho, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, perguntei a Lula, então presidente da entidade, o que ele esperava conquistar, com as greves na região, quando o aniversariante tivesse 18 anos. Era noite. Gravei, durante o dia, a manifestação de Lula aos metalúrgicos no estádio de Vila Euclides, cenário de revelação de um líder de massas de carisma único.

Naquele 1980, há mais de 30 anos, portanto, foram 41 dias de greves. Vi muitas com 50 mil, 70 e 80 mil presentes. Era chefe da Sucursal do ABC (de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul – que cobria também, e atualizo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) de O Estado de S. Paulo, num tempo em que houve quem tentasse impor a grafia de Ignácio, em vez de Inácio, ao nome dele, com a vã idéia de que assim lhe daria, talvez, um toque nobre. A história contemplou Lula, depois de perder várias eleições, seja a governador paulista, seja a Presidente da República.

A divulgação desta gravação de aproximadamente 23 minutos – Lula duvidava que meu aparelho de fita cassete, quase uma caixa de sapato, sobrevivesse até os 18 anos de meu filho, hoje com 32 – é minha manifestação de respeito e admiração a ele, embora esteja fora do coro de unanimidade que garante sua popularidade e aprovação entre 83% dos brasileiros. Lula é o mais popular presidente eleito pelo voto direto pós ditadura militar (1964-1985).

(Atualizo o texto às 23 horas: a todo momento, jornalistas são lembrados que, numa eleição de dois turnos, o candidato de oposição José Serra, do PSDB, teve o apoio e o voto de 44% dos brasileiros, frente à presidente eleita, Dilma Rousseff, do PT, apoiada por Lula e seu governo.)

PROPAGANDA

Sobre isso, recorro a outras páginas, como a de um artigo escrito hoje mesmo na Folha de S. Paulo por Fernando Rodrigues. Sintetizo. (…) “Nunca é demais lembrar que (Lula) foi o mandatário que mais bem utilizou a comunicação de massas. (…) Quando assumiu, em 2003, havia 499 veículos recebendo dinheiro para veicular propagandas do governo. Em 2008, já eram 5.297 jornais, revistas, portais de internet, rádios e TVs desfrutando desse auxílio luxuoso”.

Mais: “Agora, o governo decidiu falar tchau aos brasileiros. Está em cartaz na mídia uma campanha de R$ 20 milhões, como revelou ontem a repórter Julia Duailibi. O slogan é “estamos vivendo o Brasil de todos”. De fato, quem paga essa conta são todos os brasileiros”.

Concordo com Fernando Rodrigues. “Seria injusto, entretanto, creditar o sucesso de Lula só ao seu bem estudado plano de marketing. Após oito anos, o petista deixa um Brasil melhor. Sábio, manteve o rumo básico na condução da economia, com metas de inflação e uma certa responsabilidade fiscal.
Ressalvas feitas, é também indisputável o fato de nunca na história deste país ter havido tanta propaganda a favor de um presidente. O tempo se encarregará de mostrar a perenidade de sua obra -já sem o efeito da avalanche de comerciais”.

O CANDIDATO LULA

Lula, no domingo, dispensou o medo e jogou na esperança, que certamente tem impacto no governo de sua criação e sucessora Dilma Rousseff, uma mulher com história de firmeza em suas decisões políticas. Em entrevista ao programa “É notícia”, apresentado por Kennedy Alencar, na Rede TV!, comentou sobre a possibilidade de se candidatar à sucessão de Dilma.

- Eu fico até com medo, amanhã alguém vai assistir à tua entrevista, e dizer que Lula diz que pode ser candidato. Eu não posso dizer que não porque eu sou vivo, sou presidente de honra de um partido, sou um político nato, construí uma relação política extraordinária.

E contemporizou:
- Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e quando chegar a hora a gente vê o que vai acontecer.

(Publicado simultaneamente no Jornal do Brasil, www.jb.com.br)

Bem, com este post, informo que vou descansar alguns dias, retomando a atualização do blog, a partir de 10 de janeiro. Mesmo assim, acompanharei diariamente os eventuais comentários de leitores. Muito grato a todos. Que tenhamos boas festas e um futuro melhor, com saúde, entusiasmo e trabalho. Feliz 2011.

10 Comentários para “Inédito: Lula, o líder da greve, há 30 anos”

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